Cristianismo

Sábado

Durante o meu processo de conversão boa parte das doutrinas cristãs me foram apresentadas através de um mentor adepto à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Confesso que desde o início notava algumas coisas questionáveis que aconteciam, talvez inconscientemente, como o fato de tratar as outras denominações cristãs com um tom de arrogância como se elas precisassem ser consertadas. O que é compreensível para mim hoje depois de experienciar quase todas as mais convencionais. Lembro de várias vezes criticas serem tecidas com o seguinte tom

Porque tem certos irmãos por aí [insira crítica aqui]...

Mas apesar de discordar fundamentalmente em muitas doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma em específico nunca se mostrou errada. E agora que concluí a leitura do Novo Testamento, posso afirmar convicto que a maioria esmagadora das denominações, especialmente no Brasil, estão em erro: a não observância do Sábado como dia do Senhor.

Vamos entender então o que eu venho descobrindo sobre isso, pois é muito mais profundo do que parece e envolve muita política e relativismo das doutrinas cristãs. Antes de entrarmos nos por menos, vamos entender o contexto da guarda do Sábado.

O Sabbath

Deus em sua sabedoria infinita, já sabendo dos tropeços do homem, sabendo que devido a sua desobediência iria perder acesso ao Éden e teria que trabalhar pelo seu sustento, instaura um dia de descanso para que o homem, que seria feito a sua imagem e semelhança, semelhantemente descansasse também um dia da semana. Vamos ver como a Bíblia descreve essas duas afirmações.

Em Gênesis 2:1-3, após criar tudo que há, inclusive os seres humanos, Deus descansa no sétimo dia da criação, concluindo sua obra e abençoando o sétimo dia.

1 Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há.

2 No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.

3 Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação

É importante notar que antes mesmo da queda Deus já instituía o descanso sabático. A relevância dessa observação vem do fato de que muitos críticos apontam o descanso sabático como uma ordenança ritualista, tal qual a Páscoa e a Espiação. Porém, essas outras ordenanças, que só aparecem depois, vem como símbolos de um sacrifício que seria consumado por nosso senhor Jesus Cristo e que, por óbvio, após sua consumação não tem mais motivo de ser. Seguimos.

Após a queda do homem, Deus institui o trabalho como fonte de sustento do homem que até então tinha disponível em abundância tudo que precisara. Vejamos como a Bíblia trata deste ocorrido em Gênesis 3:17-19.

17 E ao homem declarou: "Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; em fadiga você se alimentará dela todos os dias da sua vida.

18 Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo.

19 Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará".

Uma coisa interessante de se notar é que essa "maldição" implica que antes dela o homem não se fadigava para se alimentar e nem precisava de suar para ter o pão de comer. Nela, Deus institui o cansaço, por tanto antes dela o cansaço não existia. Interessante ver como Deus já se preparava para a queda do homem ao instituir o descanso antes do cansaço.

Muitos tomam isso como uma justificativa para dizer que o descanso sabático por tanto não vem como uma ordenança, mas como um princípio. O princípio de descanso em proporção de seis para um(6x1). Seis dias de trabalho, um de descanso, seis meses de trabalho, um de descanso, seis anos de trabalho, um de descanso. E realmente faz sentido como observação geral. Porém, é de suma importância que esse descanso aconteça ao sétimo dia, tal qual instituído por Deus quando abençoou o sétimo dia e nenhum outro. A seguir, vamos entender o motivo da importância da guarda do sétimo dia especificamente.

O Sétimo Dia

Nessa seção nós vamos entender o contexto simbólico do Sétimo Dia, Sabbath, aqui com menor embasamento bíblico, mas buscando contexto histórico, político e cultural.

Uma coisa interessante a se notar sobre o judaísmo e por seguinte o cristianismo, é que é deliberadamente proibido a utilização de símbolos, esculturas e imagens como forma de adoração, sendo condenado como idolatria. Podemos observar esta ordenança explicitamente no que ficou conhecido como o Segundo Mandamento, em Êxodo 20:4-6:

4 "Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.

5 Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam,

6 mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Muitos abordam a ideia de ídolo como objetivo de idolatria, onde se é prestado culto e adoração. Porém, um ídolo, especialmente no contexto do qual se tratava tal ordenança, é simplesmente qualquer objetivo que represente algo espiritual ou divino. Em diversas outras culturas um ídolo é, tipicamente, uma figura de um deus ou um objeto com algum atributo espiritual, como os bonecos de vudu. A palavra ídolo vem do grego simulacro, derivada de aspecto ou figura e é na verdade qualquer objeto que tente simular qualquer teor sobrenatural.

Note que católicos dizem não prestarem idolatria, e pode até ser verdade, no sentido de que não adoram ídolos. Porém, o mandamento não trata de adoração, fala pra não fazer nenhum ídolo.

Digo isso porque quando Deus ordena que não façamos ídolos, ele segue dizendo nem imagens de qualquer coisa no céu(do mundo sagrado), na terra, ou nas águas. E deixa claro que TAMBÉM é proibido se prostrar perante a eles prestando culto. Sob essa ótica, não só não devemos fazer ídolos(objetos físicos com ligação espiritual) como também não devemos prestar culto a eles. É importante entender isso porque muitos fazem tais ídolos, mas se justificam dizendo que não os adoram nem prestam culto a eles e portanto não estão cometendo idolatria, mas tanto é idolatria fazer, quanto cultuar.

Todo este preambulo para dizer que diferente da maioria das outras religiões que ostentam símbolos, ídolos, imagens, estátuas e afins, nós cristãos(e anteriormente os judeus) comunicamos e proferimos nossa fé através das nossas obras, do que fazemos. Note que as obras não são requisito da salvação e de forma alguma alcançamos mérito através delas, mas por amor e obediência a Deus as realizamos.

Sabendo que nós não teríamos ídolos para comunicar nossa fé ao mundo, Deus em sua sabedoria institui a guarda do Sábado como obra para que o mundo soubesse a qual deus nós cultuamos e adoramos. Lembre-se, em Gênesis 2:3 Deus abençoa e santifica o sétimo dia da semana e não um dia qualquer. Mas também em Êxodo 20:8-12 Deus deixa claro que este é um símbolo da nossa fé.

8 "Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo.

9 Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos,

10 mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades.

11 Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.

Note como a própria Bíblia enfatiza a exclusividade do sétimo dia em Êxodo 20:11: "Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou".

Uma outra observação que deve ser feita aqui é que este é o único mandamento que Deus não institui in loco. Ao invés de instituí-lo como algo novo que deveria ser seguido a partir da ordenança dos mandamentos inscritos nas tábuas, ele começa com "Lembra-te", deixando claro que esta já era uma ordenança pregressa que. Nesse sentido, se os israelitas fossem obedecer apenas o que estivesse no conjunto das dez ordenanças das tábuas que constituiriam a nova aliança que Moisés levaria de volta ao povo, a guarda do Sábado deveria estar entre elas. Não como novidade, mas como lembrança de que não deveria ser desobedecida.

Vale lembrar também que diferente de todos os outros textos que foram canonizados na Bíblia, as ordenanças dos Dez Mandamentos foram escritas diretamente por Deus, sem intervenção ou co-autoria de um homem, podemos atestar isso em Êxodo 32:15-16.

15 Então Moisés desceu do monte, levando nas mãos as duas tábuas da aliança; estavam escritas em ambos os lados, frente e verso.

16 As tábuas tinham sido feitas por Deus; o que nelas estava gravado fora escrito por Deus.

Por tanto, diferente de outras partes da Bíblia que podem sofrer de revisão histórica, cultural, temporal e merecem a compreensão do contexto em que foram escritas, como as cartas de Paulo por exemplo, Deus sendo atemporal e imutável escreveu os Dez Mandamentos exatamente como precisava e não carecem de relativização.

Agora que entendemos a importância do sétimo dia especificamente, precisamos entender o por que não outros dias para que não relativizemos tal ordenança, como muitas denominações o fazem afirmando que "qualquer dia pode ser o dia de descanso", porém ironicamente nunca é o Sábado.

Os Outros Dias

Em culturas pagãs, especialmente as politeístas, os deuses mais importantes possuem um dia especialmente reservado para si na semana(e alguns possuem dias específicos do ano, tal qual Católicos o fazem com seus santos).

Por exemplo, nas culturas de origem germânica como o Inglês e o Alemão os deuses nórdicos tem seus dias, inclusive representados no nome do dia, enquanto que culturas de origem latina associam os dias aos seus equivalentes greco-romanos. Na tabela a seguir podemos ver tal associação, guardei o Sábado e o Domingo para uma discussão que será apresentada posteriormente.

Cultura2° Dia3° Dia4° Dia5° Dia6° Dia
InglêsMonday(Moon)Tuesday(Tyr)Wednesday(Woden/Odin)Thursday(Thor)Friday(Frigg/Freya)
AlemãoMontag(Mond)Dienstag(Tiw)Mittwoch(Wodan)Donnerstag(Donar)Freitag(Freya)
GregoDeutera (Selini)Triti (Ares)Tetarti (Hermes)Pempti (Zeus)Paraskevi (Afroditi)
ItalianoLunedì(Luna)Martedì(Marte)Mercoledì(Mercurio)Giovedì(Giove)Venerdì(Venere)
EspanholLunes(Luna)Martes(Marte)Miércoles(Mercurio)Jueves(Júpiter)Viernes(Venus)
FrancêsLundi(Lune)Mardi(Mars)Mercredi(Mercure)Jeudi(Jupiter)Vendredi(Vénus)

O primeiro dia da semana era sempre associado ao deus Sol em todas as culturas(Sunday, Sun/Sol) da mesma forma que o segundo dia sempre foi associado a deusa da Lua. Já o sétimo dia sempre associado ao deus Saturno pela influência dos romanos na constituição dos calendários dessas culturas. Saturno é associado aos ciclos temporais na cultura romana, motivo pelo qual também recebe responsabilidade pela agricultura(que acontece em ciclos).

Mas note que por muito tempo enquanto essas culturas não tinham influência romana, o sétimo dia era um dia vazio não associado a nenhum deus específico e costumava ser guardado para festivais sazonais.

Uma correlação interessante a esse fenômeno é abordada por Paulo quando entra em choque com a cultura grega, especificamente a ateniense, onde possuíam um altar vazio escrito "Ao Deus Desconhecido". Podemos ver isso em Atos 17:22-24.

22 Então Paulo levantou-se na reunião do Areópago e disse: "Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos,

23 pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.

24 "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas.

Desta forma, Paulo introduz o Deus cristão aos atenienses e após séculos de sincretismo, passaram a associar o Sabbath ao sétimo dia e por consequência, o sétimo dia se tornou o dia do Deus cristão.

Deus em todo seu conhecimento, já prevendo tudo que havia de vir, reservou para si o sétimo dia para que não houvesse resistência no choque com outras culturas, mas que ao mesmo tempo, no meio da adoração de tantos outros, aqueles adeptos ao cristianismo pudessem proferir sua fé publicamente ao guardar o sétimo dia e nenhum outro.

A Nova Aliança

Muitos cristãos acreditam que com o advento da Nova Aliança estabelecida pelo nosso senhor Jesus Cristo, todas as ordenanças anteriores foram abolidas. Para isso, se apoiam em alguns versículos(na minha opinião fora de contexto).

Note de antemão, antes de abordarmos os argumentos dos irmão que não são sabatistas, que dos Dez Mandamentos (novamente escritos diretamente pelo Deus, imutável) o mandamento da guarda do Sábado é o único que não há consenso entre as denominações, mesmo entre as que acreditam que o mesmo é um princípio de guardar qualquer dia e não exclusivamente o sétimo. Por exemplo, alguns acreditam que devido a ressurreição de Cristo, o novo dia de descanso e adoração deve ser o Domingo. Já outros irmãos, cujo me inclino a concordar nessa dicotomia, acreditam que não há mais dia específico e que apenas convencionamos o Domingo, mas que qualquer outro dia poderia ser tomado como dia do descanso. Minha crítica a esses últimos é o porquê não o Sábado?

Um dos versículos que comumente é usado para a defesa da abolição da guarda do Sábado encontra-se na carta aos Romanos, onde Paulo afirma que não devemos julgar os irmãos pelo que comem ou pelos dias observados por eles. Romanos 14 2:6:

2 Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais.

3 Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.

4 Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar.

5 Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente.

6 Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus.

Dado o contexto da carta aos romanos, é seguro afirmar que nos versículos expostos Paulo está meramente pontuando que não devemos julgar nossos irmãos. Não temos este direito e todo juízo é de Deus. Em nenhum momento, Paulo diz que devemos todos evitar guardar dias especiais. Ora, pelo contrário, se fosse o caso, deveríamos interpretar que o Domingo também se encaixaria neste contexto. Por esse motivo, dou um ponto para os irmãos que acreditam na guarda de qualquer dia. Porém, fica a pergunta, não seria qualquer outro dia escolhido também parte da crítica de Paulo, nesse sentido?

Por isso, acredito que essa passagem está meramente apontando para que nós Cristãos, não nos peguemos julgando nossos irmãos, nem pelo dia que escolhem guardar, nem pela comida que comem ou deixam de comer, como faziam os Judeus. Aqui, vale insistir que, não é pelas obras que seremos salvos, por tanto, este texto não está na defesa de que "para ser salvo você deve guardar o Sábado". Não. Aqui estou dizendo "o dia do Senhor é o Sábado, em respeito e amor a ele, guardemos o Sábado".

As sombras

Vamos nos mover para o próximo versículo comumente utilizado como base para que não mais guardemos o sábado, o famoso versículo Colossenses 2:16-17:

16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,

17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Novamente, observe que a passagem aponta para o julgamento entre irmãos em Cristo, e ressalto, não temos mesmo o direito de sentenciar ou julgar nenhum irmão por coisa alguma. O que podemos fazer é, tal qual Paulo e outros apóstolos, devemos orientar e mostrar as ordenanças do nosso Senhor. Mas essa passagem possui um contexto um pouco mais esguio.

Primeiramente, note o contexto do que Paulo está tratando em Colossenses. Neste momento, Paulo preso, está orientando a Igreja de Colossos, Igreja esta que não fora fundado pelo apóstolo, mas por um colaborador, Epafras. Este, informou a Paulo em uma visita, sobre as questões culturais que estavam afastando alguns fiéis da Igreja.

A abordagem que Paulo usa para orientar os Colossenses é a de demonstrar o aspecto messiânico de Jesus Cristo. Para isso, ele expressa que Nele culminou todas as coisas que haviam sido consagradas pelos Judeus, como assim? Basicamente, Paulo mostra que a Tora inteira apontava para a vinda de Jesus e que nele a profecia se cumprira. Então todos os festivais e sacrifícios eram meramente símbolos, sombras do que Jesus cumpriria.

Essa passagem de Colossenses expressa que não devemos mais realizar os festivais e rituais que remetessem à expiação, pois esta já havia sido realizada por Cristo por definitivo. Por tanto, a Páscoa e outros rituais, deixavam de fazer sentido, pois simbolizavam algo que havia já se cumprido. Visto que o que representavam já se cumprira, esses símbolos perderam o sentido. A vinda do Messias já não mais projetava sombras, pois este já chegara e cumprira seu ministério, ascendendo aos céus, deixando assim de projetar sombras.

O que tudo isso tem a ver com os Sábados? Ora, Deus não santificou o Sábado como um ritual que apontava para o Messias, tudo nas ordenanças cerimoniais viria após a queda do homem, após o resgate do povo de Israel, do Egito, e após a própria entrega dos Mandamentos, estes que já instruíam sobre lembrarmos da guarda do Sábado. Ou seja, a guarda do Sábado não era um símbolo que apontava para a vinda de Cristo. Não existiu nenhum evento ou façanha que pudesse justificar o simbolismo do Sábado se cumprindo em Cristo, afinal, Ele fora crucificado e descansou ao Sábado, como podemos conferir em:

  • Mateus 28

"1 E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

  • Marcos 16

1 E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.

2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.

9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.

  • Lucas 24

1 E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas.

  • João 20

1 E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.

2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.

Em todas essas passagens, fica claro que após sua crucificação e morte, Jesus só retorna no primeiro dia da semana. Inclusive, muito cedo, provavelmente logo que o Sabbath se cessara, como aponta Marcos ao dizer "E, passado o sábado" e Mateus quando diz "E, no fim do sábado". Por tanto, mesmo após crucificado e morto, Jesus respeitara o Sábado para dar continuidade ao seu ministério. Podemos nos questionar: ora, mas isso não significa nada.

Irmãos, isso significa tudo. Jesus precisava cumprir sua profecia, por diversos motivos. Dentro do plano de Deus, tudo se cumpriria e somente APÓS o sábado haveria continuidade. Jesus precisava se manter em descanso no sepulcro por um motivo muito interessante: só era considerado morto, de fato, após 3 dias. Na época era comum que pessoas "morressem" e "voltassem" antes desse tempo. Uma evidência disso é a própria passagem onde Jesus ressuscita Lazaro.

  • João 11

3 Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.

4 E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

5 Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

6 Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

11 Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.

12 Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo.

13 Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono.

14 Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto;

17 Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura.

21 Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

43 E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.

44 E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.

Não vamos entrar aqui na questão da cronologia da crucificação de Jesus, pois muito se debate se este morrera na Sexta-feira e ressuscitara no Domingo, não teriam se passado os três dias, como Jesus dissera. Porém, este tempo de pelo menos três dias para considerar alguém morto, servia principalmente porque em muitas causas naturais, principalmente doenças, acontecia da pessoa voltar. Porém em assassinatos não se via necessário, tanto que em Marcos, há a passagem assegurando a morte de Cristo por um centurião a mando de Pilatos:

42 E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,

43 Chegou José de Arimatéia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.

44 E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.

45 E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José;

Para todos os fins aqui, apenas precisamos saber que, conforme os versículos apresentados, Jesus descansava no Sábado, respeitando a ordenança que o Senhor Pai nos dera. Por tanto, não devemos considerar que Paulo está falando dos sábados como os dias santificados por Deus. Mas, se preferirem matar a curiosidade sobre a cronologia da morte e ressurreição de Cristo, recomendo o seguinte vídeo do arqueólogo Rodrigo Silva:

Os Festivais

Mas se não são estes sábados, os sétimos dias da semana, a quais sábados Paulo se refere em Colossenses? Simples, sábados cerimoniais.

Podemos entender esses sábados como os dias de festividades, cerimonias e rituais judaicos, ou simplesmente, feriados. Em inglês, o termo holiday, traduzido como feriado aqui no Brasil, tem origem na conjunção holy e day, dia sagrado.

Não estou insinuando um erro de tradução nem nada do tipo. Mas para a época da carta, não existia a distinção de dias de festividade e dias sagrados. Só era um "feriado" um "dia sagrado" e "dia sagrado" era chamado sábado, pois não existia a ideia de "dia sagrado" senão quando um sábado.

Podemos ver todos os "festivais" aos quais Paulo se refere ao longo de Levítico 23, não os mencionarei aqui pois muito me estenderia.

O Repouso

Movemo-nos em direção a conclusão deste, mas gostaria de comentar ainda sobre um texto do livro de Hebreus 4, as vezes utilizado como forma de invalidar o descanso sabático, o trecho narra:

3 Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo.

Em algumas interpretações esta passagem é dita que já estamos no repouso e portanto o sábado não deve mais ser observado, todos os dias estamos "descansados em Cristo". Porém, com só mais alguns versículos, podemos entender melhor que o autor de Hebreus está na verdade dizendo para termos fé e esperança que de esse repouso pleno prometido por Deus ainda há de vir:

4 Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia.

5 E outra vez neste lugar:Não entrarão no meu repouso.

6 Visto, pois, que resta que alguns entrem nele, e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência,

7 Determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações.

8 Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia.

9 Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.

10 Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.

11 Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.

Por tanto, essa passagem em momento algum diz que já estamos em repouso. Ainda havemos de entrar e devemos diligentemente buscar este descanso hoje, todos os dias devemos buscá-lo. Mas ainda não estamos nele.

O Sinal

Bom, como dito anteriormente, repito, mesmo que entendamos que já estamos em repouso(novamente, interpretação errada) ou que qualquer dia é o novo Sabbath, fica a pergunta: se qualquer dia ou todos os dias, por que não o Sábado?

Como vimos sobre os outros dias, Deus separou especificamente o sétimo dia da semana como SINAL, não para Ele, nem para nós, mas para os que não creem Nele, para que todos saibam a qual deus nós adoramos e em qual deus descansamos. Porque todos os outros deuses demandam ofertas, sacrifícios, preceitos e obras. Mas nosso Deus pede apenas o nosso descanso em sinal da nossa aliança com ele. O nosso Deus é o deus do descanso, o único que pede para que nós guardemos um dia para descansar como forma de lembrarmos Dele e da nossa aliança com Ele. Encerro esse texto com esse trecho de Ezequiel 20:

20 E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.

Graça e Paz.

Comments