Ira e Vínculo
Durante um súbito momento de solidão, atento a demanda, resolvi ir em busca da satisfação de um vínculo. Porém, não passou de um profundo e deliberado desencontro.
Ainda existe em mim uma confusão entre desavença e intimidade, dominância e vínculo. Acabei me desentendendo com três pessoas próximas. Por algum motivo o enfrentamento me comunica uma certa manutenção do vínculo que em última instância garante a segurança dele. Obviamente, não preciso evidenciar o erro dessa lógica
A sensação é como se ao invés da pessoa fugir ela ao menos me reconhecesse e permanecesse comigo. O enfrentamento é um jeito estranho de dizer:
Eu to aqui. Briga comigo. Não foge!
É uma tentativa infantil de diminuir a distância entre o sujeito e o objeto do vínculo. Mas sem perceber acabo o afastando ainda mais. É como se eu disesse, ao sentir a distância se estabelecendo:
Volta aqui! De tudo, pelo menos briga comigo. Eu aceito até isso.
A falta de um repertório comportamental que permita o desenvolvimento de estratégias melhores pra lidar com o espaço da ausência de alguém me faz recorrer ao único procedimento que aprendi que executavam quando se aproximavam de mim.
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