No início
Um questionamento que recorrentemente surge no debate filosófico e que, aliás, faz parte do âmago humano, é: o que havia antes? No caso, atualmente, retrocedemos a pergunta ao extremo, reformulando-a como: o que havia antes de tudo?
Quando falamos da gênese do universo estamos atualmente(talvez permanentemente devido às limitações intrincecas do universo e das leis que o regem) limitados à retroceder e assumir a origem como sendo o instante do Bigbang, onde tudo se fez: tempo, espaço e matéria.

Antes disso, tais grandezas não existiam. Por tanto, qualquer que seja a causa prima do universo, esta deve necessariamente existir paralelo a esta triade fundamental.
Este objeto, por tanto, não pode ser restrito ou limitado por estas grandezas: tempo, espaço ou matéria.
O que quer que seja, podemos inferir que devido à sua completa independência espaço-temporal, este é onipresente, já que poderia estar em todo lugar a todo o momento. No ínicio, durante e no fim de qualquer coisa cujo grandeza tempo ou espaço fossem consideradas.
Além disso, o objeto também não é limitado pela matéria, então pode-se dizer que, para os fins de um universo material como o nosso, tal objeto não possui limites do que pode fazer, já que tudo que fazemos, fazemos com matéria e tudo que não podemos fazer não fazemos por limitações da matéria. Por tanto, se este objeto não está restrito à matéria num universo material, neste universo material, tal objeto é onipotente, pois o que quer possa fazer, é irrestrito.

Visto que tal objeto não possui limitações de tais recursos, é possível inferir que poderia armazenar registros infinitos de informação. Já que informação nada mais é do que o arranjo da matéria em um dado período do tempo-espaço, tal objeto pode observar e registrar todos os arranjos e configurações possíveis e, por contraste, impossíveis também.
Em última instância, não possuindo limite de armazenamento nem limite de processamento, tal objeto poderia gerar e registrar toda a informação que um universo material teria. Por tanto, o objeto é, de antemão, onisciente dentro do escopo de um universo material restrito por tempo e espaço.

O objeto também deve possuir vontade e intencionalidade, pois deliberadamente causou nosso universo. Digo isso pois, se existia um estado anterior ao da gênese do nosso universo, tal estado só poderia ser alterado de "não gerando" para "gerando" se algo influenciasse a inércia deste estado, que por definição, deveria permanecer em "não gerando". Assim, tal estado seria estável ad eternum.
Porém, forças naturais não poderiam alterá-lo já que, por definição, tais forças só existiriam após a criação do tempo, espaço e matéria, como exemplo temos a gravidade. No entanto, mesmo que pudessem existir antes da gênese dessa tríade fundamental, tais forças teriam sua atuação restrita ao próprio sistema do universo que atuam, sistema esse que até onde se tem registros, é fechado.
Existe, inclusive, tendências universais, como a entropia, que apontam que tais forças apontam no sentido oposto da geração de um universo, tendendo à desordem e decaimento. Decaimento este que tende ao zero absoluto, ou no mínimo um estado de energia insuficiente para realização de qualquer trabalho.
Por tanto, pela própria natureza dessas forças, elas não poderiam instalar um estado de energia como era o esperado no momento que antecede o Bigbang, digo isso pois na singularidade, toda a matéria do universo interagia num único ponto espaço-temporal então a temperatura tenderia ao infinito, por tanto, uma energia potencial também infinita estava armazenada ali. Note que são estados completamente opostos. Quanto mais antecedemos na direção do início, mais energia potencial teremos, quanto mais procedemos na direção da seta do tempo, menos energia potencial teremos.

O estado final de "desuniverso" também anula a ideia de tempo, espaço e matéria, já que tais grandezas se fazem irrelevantes dentro de um universo onde a entropia alcançou seu limite e a inércia absoluta impede qualquer evento de retomar sua relevância. Dito isto, o que quer que tenha causado o início do universo, não pode ter sido natural, ao menos não para os conceitos do universo em si. Por tanto, assume-se que, para todos os efeitos deste universo, tal objeto passa-se a ser um sujeito, dotado de intencionalidade supra-natural, e nosso universo é uma tecnologia que surge como subproduto da ação intencional desse sujeito.
Dadas as condições e características apresentadas para a causa prima do universo que habitamos, especialmente notando que esta condição possui subjetividade e intencionalidade, podemos usar da primeira lei da lógica aristotélica, a Lei de Identidade, que admite que A = A. Ou seja, se B possui todas as características de A, então B = A, por tanto B é A, logo A = A. Em outras palavras, toda coisa é identica consigo mesma.

Nesse sentido, tal condição de pré-existência do universo, ou melhor, a causa geradora do universo, possui todas as características notadamente atribuídas ao Deus cristão. Sendo A = A, faz-se necessário admitir que, antes de tudo existir, ao menos Deus havia.
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