A Falácia do Equilíbrio
As pessoas estão sempre falando sobre encontrar o equilíbrio nas coisas. Temperança, por exemplo, sempre foi uma das virtudes mais valorizadas por Aristóteles.
Eu advogaria para que você na verdade seja sábio e entenda qual lado do espectro de uma determinada dicotomia você deveria estar. Porém, ao tomar seu lado, não meça duas vezes, seja por inteiro.
Nesse sentido, temperança vem apenas como um lembrete sobre as possibilidades do que pode ser feito, mas cabe a coragem agir sobre o que foi decidido.
Ninguém diria que você precisa de equilíbrio entre beber muito ou pouco veneno. Não existe quantidade ótima para o consumo de algo que por definição te faz mal.
Alguém defenderia que existe uma quantidade razoável e desejável de fezes que precisamos consumir de forma equilibrada na nossa alimentação? Não.
Alguém são diria que existe quantidade equilibrada de realização que alguém deveria sentir? Que as pessoas deveriam se sentir miseráveis pro seu próprio bem?
Para aqueles que advogam a favor do mero contraste das coisas, gostaria de indagá-los: Se pudessem eliminar a miséria da Terra, independente da pragmática desse argumento, se pudesse fazer todas as pessoas se sentirem sempre alegres e realizadas, você ainda optaria por temperá-las com dor, sofrimento, miséria e angústia meramente com a finalidade de manter o equilíbrio? Ignore o aspecto utilitário nesse sentido.
Temperança desempenha um papel unica e exclusivamente de percepção. Ela nos permite acessar os diversos cursos de ação possíveis e viáveis. Mas quando se trata de julgamento, de agir, devemos agir com coragem e sabedoria. Temperança e justiça servem meramente como eixo de percepção.
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